Boatos na Internet, leia antes de compartilhar.

Como saber se a notícia é falsa ou verdadeira?

Dicas / 21 de NOVEMBRO de 2016 / Marco Fontaneti / 4445





Me diz... Quantas histórias falsas você já passou adiante pela internet? 

Flanelinhas jogando acido em motoristas, a morte de Jackie Chan, governo distribuindo vacinas vencidas, chefe da NASA dizendo que a terra ficará na escuridão, que o Facebook vai passar a ser cobrado, o livro didático usado nos EUA onde a Amazônia aparece como área internacional, etc etc... 

Em entrevista à Radio Jovem Pan, Edgar Matsuki, editor do site Boatos.org, especializado em verificar a veracidade desse tipo de boatos diz que "existem cada vez mais boatos recorrentes, aqueles que vão e voltam" praticamente todo ano. Ele diz que "se você analisar um pouquinho mais profundamente, você vê que a história não se sustenta" e que as informações não batem. 

Além dessas notícias totalmente forjadas, também há os boatos que embora não sejam mentirosos forçam um pouco a barra, distorcendo ou exagerando as informações. Esse tipo de boato é muito comum na área de alimentação e saúde e quase sempre deixa de informar dados importantes como datas e nomes que permitam verificar sua autenticidade. 

Nesta categoria estão notícias do tipo: banana com a casca escurecida cura câncer, determinado suco cura tal doença, receitas milagrosas... e por aí vai. 

Uma outra categoria de informação falsa são as famosas promoções, as correntes e os "passe pra frente, todos precisam saber disso", hoje muito comum no WhatsApp e no Facebook. Exemplos: se você repasar o email tal criança receberá doações, uma pessoa precisando de doação de sangue, novas leis, indignação com medidas políticas, curta e compartilhe e concorra a uma Hilux Zero Km, faça isso o o novo recurso será ativado, faça isso para evitar aquilo, etc. 


Verdade ou mentira? Siga essas dicas! 

Estamos falando de boatos e notícias falsas. Mas é claro que nem tudo é mentira. Então, como saber quando é mentira ou verdade? Algumas dicas bem fáceis de seguir: 

1) Leia antes de repassar. Óbvio né? Mas o fato é que, pra não perder tempo e com a intenção de ajudar, as pessoas simplesmente vão repassando informações que nem elas mesmas leram. 

2) Analise o jeitão da mensagem. Os boatos quase sempre tem algumas peculiaridades, por exemplo: não citam nomes, títulos ou números que podem ser checados; usam textos em caixa e com tom ALARMANTE!!!!! ; costumam ter erros de gramática; e pedem para repassar a mensagem adiante. Se você encontrar essas características na mensagem, desconfie. 

3) Analise a fonte e rastreie a origem da mensagem. O site onde você viu a notícia é confiável? E a pessoa que passou a informação pra você, ela pegou direto da fonte ou está apenas repassando de outra pessoa, que repassou de outra, que repassou de outra... todas sem checar nada, afinal elas devem ter pensado "ah, meu amigo não passaria pra mim se não fosse verdade" não é mesmo? Mas será que a mensagem procede?  Uma dica é tentar rastrear até chegar no autor original da mensagem.  

4) Se você não tem certeza se a informação procede, vai lá no Google. Quase sempre os resultados da busca já te dão pistas sobre a veracidade da informação. 

5) Consulte o site oficial da empresa, órgão ou pessoa citada. Por exemplo, se você lê um post dizendo que a Toyota está sorteando uma Hylux pra quem curtir, vai lá no site da Toyota e veja se procede. Muitas empresas e órgãos do governo até criaram páginas só para esse tipo de consulta.

6) Consulte um site especializado em boatos. Alguns que recomendamos são: 

E-farsas - É um dos precursores do gênero, o site tem mais de 10 anos de existência e nele é possível pesquisar sobre a maior parte dos boatos amplamente difundidos na rede. O autor do site além de pesquisar a origem dos boatos, tenta fazer uma análise minuciosa sobre os pontos contraditórios contidos na informação que está sendo divulgada. 
 
Boatos.org - É uma outra excelente alternativa para checagem de histórias espalhadas pela internet. O site segue uma linha editorial semelhante a encontrada no e-Farsas, mas pode variar no que diz respeito a análise da história. Nem sempre o que publicado num site, é repetido no outro. 

Fatos & Boatos - É um site criado pelo Governo Federal e lançado no final de 2015. Nesse site são esclarecidos fatos relacionados a política. 

Verdades e Boatos - É um site institucional desenvolvido pela Coca-Cola para esclarecer os boatos espalhados sobre os refrigerantes produzidos pela empresa. 

E recomendo também a leitura do texto "Hoax: os perigos dos boatos na internet" que explica muito bem a dinâmica de criação e viralização de um boato - ou hoax. 


Reflita um pouco... 

Em artigo no G1, o colunista Ronal Prass, esclarece: 

"A recomendação é que antes de compartilhar qualquer informação, quando possível, seja verificada a sua veracidade. Não é porque está publicado em blogs, sites, redes sociais, ou compartilhado em grupos do WhatsApp que necessariamente é verdade. Existe muito conteúdo criado apenas para conquistar seguidores e acessos, e assim monetizar o site através de anúncios. Isso não significa que todos produtores de conteúdo independentes não sejam considerados confiáveis, porém não existe uma regra que permita identificar as fraudes facilmente. E na dúvida, é mais apropriado abrir mão de eventuais curtidas recebidas do que contribuir na sua divulgação de boatos." 

Quando você toma estes cuidados, consegue saber o que é uma informação verdadeira e importante de ser divulgada e deixa de espalhar histórias falsas de maneira irresponsável, que além de tomar tempo precioso das pessoas, podem prejudicar alguém. 


E é crime, sabia?

Segundo informações fornecidas por especialistas para reportagem do jornal O Globo, "criar ou espalhar um boato pode ser considerado contravenção penal contra à paz pública, caso tenha gerado pânico na população por alertar para um perigo inexistente. Ou se o boato gerar dano para alguém, cabe reparação em dinheiro e algumas vezes também com retratação pública. E mais, a legislação não tem pena diferente para quem criou o boato e para quem compartilhou ou reagiu à postagem." diz o jornal.


Mídia e Histeria Coletiva

Nos acostumamos, principalmente a geração que cresceu tendo a TV e os jornais como a principal e única fonte de informação "confiável", a adotar a seguinte lógica: "se passou na TV ou saiu no jornal, é verdade". Mas não, não... Isso nunca foi 100% verdadeiro e agora o que se observa é que a cada dia os veículos de comunicação importam-se menos com a veracidade do que publicam ou divulgam. 

Acontece que muitas vezes, quando um boato é fortemente baseado no medo (doenças, segurança pública, integridade dos nossos filhos) e ganha força própria, aqueles que estão divulgando com boas intenções começam a compartilhar "provas" de que aquilo é verdade, mostrando que saiu em tal jornal ou passou em tal canal de televisão. 

Nestes casos (boatos sobre ataques do grupos criminosos, epidemias, baleia azul), três observações são importantes: primeiro, cuidado com manchetes sensacionalistas que só querem ganhar audiência e veiculam notícias com baixíssimo grau de confiabilidade que podem até conter elementos verdadeiros, mas totalmente distorcidos; segundo, saiba que os jornalistas (e a polícia, os médicos, etc) são tão vulneráveis à histeria coletiva quanto você; e terceiro, que existem muitos maus profissionais de comunicação, que não entendem a responsabilidade que sua profissão exige, ou seja, não tomam os cuidados básicos para verificar a autenticidade e veracidade das informações que estão divulgando e simplesmente "passam adiante".

Então, tão importante quanto alertar as pessoas para potenciais perigos e riscos, é tomar cuidado para não ser um "fantoche do mal" que espalha pânico, medo e terror por aí. Isso faz tanto mal quanto. E muitas vezes é o próprio combustível para que aquilo que se teme aconteça ("profecia auto-realizável" ou "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade").  




Gostou? Veja mais artigos da categoria Dicas
ou sobre Dicas


Receba os posts por e-mail!

 

Acompanhe as novidades sobre tecnologia e melhorias para seu negócio.





pratza

Especialista em Websites,
desde 2008.

Entre em contato